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12 abril 2012

Restrições à sibutramina pela ANVISA aumenta a burocracia e pode prejudicar prevenção da obesidade

As restrições à sibutramina pela ANVISA aumenta a burocracia e pode prejudicar a prevenção da obesidade, foi isso que constatei hoje ao tentar ser atendida pelo endocrinologista do meu plano de saúde.

São inúmeros os posts neste blog onde trato sobre o assunto da tentativa de proibição da venda da sibutramina no Brasil e as restrições impostas aos médicos para receita-la. Só para recordar eu, assim como os maiores nomes da medicina ligados ao tratamento da obesidade, dentre outros profissionais da área da saúde somos a favor do uso da sibutramina, um medicamento que, ao contrário do que diz a ANVISA, é seguro e eficaz.

É fato que as pessoas buscam formas mais fáceis para emagrecer do que a reeducação alimentar e o exercício, é fato que são resistentes às mudanças de hábito de vida e vêem nos remédios a solução para o problema, a pílula mágica. Isso não é verdade, remédios ajudam sim, mas não podem ser tomados a vida toda e tão pouco fazem milagre. Cabe ao endocrinologista decidir quando a medicação para emagrecer se faz necessária, geralmente quando o paciente é obeso e com doenças associadas.


O que aconteceu comigo

Nos últimos três anos engordei muito, foram 20 kg no total, como era muito magra passei da condição de peso normal para sobrepeso, quase obesa. As causas de ter engordado assim foram diversas e o stress vivido no último ano por conta de problemas de saúde na família que culminaram com o falecimento da minha mãe foram a gota d'água. Procurei um endócrino pois precisava de parâmetros para iniciar o meu tratamento, precisava fazer exames, inclusive para descartar a possibilidade de alguma disfunção. 

A primeira consulta foi perfeita, o médico ouviu meu histórico e pediu todos os exames. Com ele em mãos começaram os problemas. Não consegui agendar retorno com o mesmo médico pois a data mais próxima levaria três meses e meus exames, que tinham pequenas alterações, não valeria mais de nada.

Conforme orientação da central de marcação de consultas (DIX) eu poderia me consultar com qualquer outro médico, pois era indiferente. Um absurdo! Todos sabemos a importância da continuidade do atendimento, pois ainda que o médico tenha dificuldades para se lembrar de mim e vá consultar as anotações no sistema, cada profissional tem sua forma de atender, e isso evita, inclusive, possíveis discussões que esbarrariam na ética.

Sem opção passei com outro endocrinologista que me tranquilizou quanto às pequenas alterações e afirmou que não poderia me tratar/orientar, pois eu não apresentava nada sério, que necessitasse medicação. Que para emagrecer eu seria encaminhada para a Clínica de Emagrecimento e Cirurgia, pois todo mundo que quer emagrecer quer remédio e ele não podia receitar. Como assim?????

Traduzindo, eu precisaria estar doente, por exemplo, com diabetes ou dislipidemia para que o plano permitisse o atendimento pelo endocrinologista. Como eu quero emagrecer preciso passar pela tal clínica, ocorre que não sou obesa e meu tratamento é preventivo, não preciso de remédio!

O que eu precisava era dos exames e de um encaminhamento para nutricionista, já que sou profissional de educação física e dos exercícios cuido eu! (Se eu não fosse deveriam indicar procurar uma profissional da área). Simples assim!


Burocracia pode prejudicar prevenção e fomentar o aumento da obesidade

A tal Clínica de Emagrecimento e Cirurgia, consiste em palestras com médicos e nutricionistas por 12 meses. E é obrigatória para qualquer pessoa que quer emagrecer e tem o meu convênio (DIX).

Entendo da importância de esclarecer a população quanto aos hábitos de vida e inclusive ministro palestras sobre o assunto. Programas como esse são cabíveis na rede pública, mas na rede particular deveriam ser opcionais. Quantas pessoas hoje, dispõe de tempo para isso? Me pergunto quanto deve ser a taxa de desistência nesse tipo de programa, na rede particular. Quem paga tem o direito a um atendimento individualizado, no horário que lhe for mais conveniente.

Eu sei o que tenho que fazer, além de brigar pelo meu direito no convênio, vou buscar um(a) nutricionista, mudar algumas coisas no meu treino e como meus exames estão praticamente sem alterações os resultados virão e em menos de um ano! E quem não dispõe desse tempo, não tem a mesma formação que eu e não recebeu orientação do médico assim como eu? Espera engordar mais, desenvolver alguma doença associada para conseguir ser atendido pelo convênio? Que prevenção é essa?

Com as restrições da ANVISA criou-se um efeito em cascata, no final seremos mais prejudicados do que ajudados e a médio prazo as estatística irão provar o que estou dizendo. A pressão para não receitar um medicamento seguro e eficaz e mecanismos para suprir o déficit gerado no tratamento, como esse criado pelo meu convênio, onde pessoas que buscam a prevenção são colocadas no mesmo pacote que pessoas obesas e obesas mórbidas, farão com que haja um aumento nos casos de obesidade.

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