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03 julho 2010

HC-USP testa ´preservativo intestinal` para casos de obesidade

Por: Ana Elisa Erdmann
Foto: Divulgação/Eduardo de Moura

O “preservativo intestinal” é uma prótese que se assemelha a uma camisinha e que, se instalada no intestino, auxilia pessoas que sofrem de obesidade a emagrecer, segundo um experimento do HC-USP (Hospital das Clínicas da USP).

O dispositivo, um tubo plástico, maleável e impermeável, mede cerca de 62 cm de comprimento e é capaz de impedir que por volta de 20% da comida seja absorvida depois que passa pelo estômago.

“Os pacientes emagreceram 30% do excesso de peso”, afirma o diretor do serviço gastrointestinal do HC e responsável pelo estudo no Brasil, Eduardo Guimarães Hourneaux de Moura.

O estudo foi realizado em 78 pessoas que apresentavam quadro de obesidade mórbida (quando o IMC – índice de massa corpórea - ultrapassa 40) ou obesidade grave (IMC entre 35 e 39,9) com diabetes ou hipertensão. Além disso, os pacientes que realizaram o teste apresentavam histórico de indicação cirúrgica, mas não podiam realizá-las pelas complicações de saúde causadas pelos próprios fatores de risco da combinação de obesidade e diabetes.

Diabetes

Além de emagrecer, a maior parte dos pacientes que apresenta diabetes do tipo 2 conseguiu controlar o doença. Isso ocorreu porque a prótese é capaz de estimular a produção de insulina e minimizar a resistência do corpo à substância.

Segundo Eduardo de Moura, com o dispositivo a diabetes foi controlada em cerca de 90% dos casos, sendo que 20% os pacientes deixaram de tomar o medicamento, 60% dos diabéticos conseguiram se manter apenas com um medicamento e 10% com um medicamento e um complementar. Apenas em 10% não foram observadas melhoras.

A utilização da prótese não exime a necessidade da cirurgia, mas é uma boa alternativa parar pacientes obesos que não apresentam um quadro de saúde resistente para se submeter a procedimentos cirúrgicos. Pode ser usado também para amenizar os riscos de um paciente diabético quando submetido a cirurgia.

Procedimento

O “preservativo intestinal”, além das vantagens de perda de peso e da resistência à insulina, tem mais um diferencial: não necessita de procedimentos cirúrgicos para ser colocado, já que isso é feito pelo procedimento padrão de endoscopia. O processo consiste em um aparelho que entra pela boca com a ajuda de cabos e câmeras, sem que nenhum corte seja feito no paciente. No procedimento de aplicação da prótese é necessária a aplicação de anestesia geral.

Até o momento, o tempo máximo de utilização de uma prótese é de um ano. O HC ainda estuda a possibilidade de o dispositivo causar danos a saúde, caso fique por mais tempo. “Acredito que a prótese possa ficar por mais tempo, sem problema algum. As chances são bem altas, na verdade. Mas ainda vamos nos aprofundar no assunto”, afirmou o diretor de serviço gastrointestinal do HC.

Apesar das vantagens, como qualquer procedimento o “preservativo intestinal” pode apresentar riscos. Isso porque dentro do intestino o aparelho pode causar irritação, além de reduzir a absorção de nutrientes. Alguns pacientes podem necessitar de suplementos alimentares para completar a dieta.

Remoção

O aparelho pode ser retirado pela boca, pelo mesmo procedimento de endoscopia. Uma vez que o dispositivo for retirado, os pacientes voltam absorver os alimentos normalmente, por isso é necessário que se mantenha uma disciplina para controlar o peso.

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), a obesidade e sobrepeso têm sido considerados uma "epidemia global". A previsão é que em 2015 haja aproximadamente 2,3 bilhões de adultos com sobrepeso e mais de 700 milhões obesos.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatística) aponta que 40% (70.000.000) da população brasileira estejam acima do peso ideal.

Apesar do êxito na fase de testes, o dispositivo ainda não tem previsão de chegada ao mercado. “O preservativo intestinal ainda não foi registrado no Brasil e isso vai demorar no mínimo uns seis meses. A previsão é que daqui a um ano ele seja comercializado”, concluiu Eduardo de Moura.

Fonte: e-Band

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