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12 outubro 2008

Obesidade

Por: Pensamentos e Devaneios de Ariana


Obesidade
Prof. Dr. Alfredo Halpern

A obesidade é considerada hoje uma doença crônica, que provoca ou acelera o desenvolvimento de muitas doenças e que causa a morte precoce. A obesidade acomete uma grande proporção de pessoas. Há ainda muita desinformação a respeito da obesidade sendo que, durante muitos anos, ela era associada a falta de caráter, auto-indulgência ou distúrbios psíquicos dos indivíduos por ela acometidos. Sabe-se hoje que a obesidade é muito mais do que isso e que decorre de uma série de fatores - genéticos, metabólicos, hormonais e ambientais - ainda não totalmente esclarecidos.
Obesidade significa excesso de gordura no organismo. O índice mais utilizado é para medição de gordura no organismo é chamado Índice de Massa Corporal (IMC), que se obtém dividindo o peso do indivíduo (em Kg) pela altura ao quadrado (ou altura x altura) em metros. Obtém-se assim um número seguido de Kg/m2 que deve ser interpretado da seguinte maneira:
menor que 18 Kg/m2 = subnutrido
de 18 a 26 Kg/m2 = normal
de 26 a 30 Kg/m2 = pesado
acima de 30 Kg/m2 = obeso
Indivíduos com valores de IMC superiores a 40 Kg/m2 são chamados de obesos mórbidos (devido à grande morbidez, isto é, doenças graves relacionadas com este grau de obesidade).
A obesidade é causada por um desbalanço, entre as calorias que são consumidas sob a forma de alimentos e as calorias que são gastas pelo indivíduo para o organismo funcionar, mesmo em repouso, realizar as atividades física e digerir os alimentos consumidos. O excesso de calorias (resultante de um balanço positivo entre o que é consumido e o que é gasto) é depositado no organismo. Boa parte desse depósito se faz sob a forma de gordura e quanto mais se deposita mais obeso é o indivíduo. Dessa maneira, a pessoa pode ser obesa porque:
come exageradamente e/ou
gasta poucas calorias e/ou
tem mais facilidade de produzir gordura quando o balanço calórico é positivo e/ou
"queima" gorduras com menor facilidade.
São propensos à obesidade aqueles indivíduos que apresentam uma tendência genética a ser obesos - e isto é bastante freqüente - ou quando, mesmo sem tendência genética, exageram na quantidade de alimentos ingeridos (particularmente os alimentos gordurosos) ou levam uma vida muita sedentária. Os indivíduos obesos apresentam-se com maior quantidade de tecido gorduroso pelo organismo e essa deposição de gordura é variável de pessoa para pessoa. A grosso modo, existem dois tipos básicos de distribuição de gordura:
na região subcutânea (abaixo da pele), particularmente da cintura para baixo, é chamada de obesidade ginóide (porque acomete mais as mulheres) ou obesidade em pêra (pela forma) ou obesidade subcutânea; e
no abdômen, profundamente entre as vísceras, é chamada de obesidade andróide (porque acomete mais os homens) ou obesidade em maçã (pela forma) ou obesidade visceral.
Naturalmente há grandes variações entre este dois tipos de distribuição de gordura pelo corpo e há indivíduos com os dois tipos de obesidade. Se o indivíduo com obesidade não se tratar, ele tende a engordar cada vez mais. Como obesidade é fator de risco indiscutível para várias doenças - só para citar exemplos: diabetes mellitus, hipertensão arterial, alteração nos níveis de triglicérides e colesterol, infarto do miocárdio, derrame cerebral, tromboses, problemas ortopédicos e dermatológicos etc. - a manutenção da obesidade ou o seu agravamento, faz com que o indivíduo se torne cada vez mais suscetível a doenças graves e morte precoce. Obesidade é hoje considerada doença crônica com prognóstico de qualidade de vida comprometida por vezes seriamente e, portanto, deve ser tratada. A obesidade tende a se agregar nas famílias. A chance de obesidade nos filhos é de 80% quando ambos os pais são obesos, cerca de 50% quando um dos pais é obeso, e cerca de 10% quando nenhum dos pais é obeso. Essa tendência à obesidade em família é explicável por dois fatores: genético (hoje em dia bem reconhecido) e ambiental, que em muitos casos predomina, e que significa maus hábitos de vida, particularmente alimentação inadequada e atividade física discreta. Existem vários tipos de obesidade, com várias causas e vários quadros clínicos. Podemos encontrar desde indivíduos obesos sem nenhuma alteração clínica (isto é, sem pressão alta, sem distúrbios em triglicérides ou colesterol, sem diabetes, sem problemas ortopédicos) até indivíduos com quadro clínico bastante grave. A abordagem terapêutica deve levar em conta o tipo de obesidade e sua gravidade. O número de obesos vem crescendo de uma maneira espantosa. A prevalência da obesidade vária de país para país mas, com pouquíssima exceções, em todas as regiões onde há possibilidade de obter comida com facilidade, há um nítido aumento na prevalência da obesidade. No Brasil, 40% dos adultos apresentam excesso de peso (IMC maior que 25Kg/m2) e hoje quase não há diferença entre os indivíduos que vivem na cidade ou os que vivem no campo. A prevalência de obesidade é maior nas classes sociais mais favorecidas e é nela que se observa o maior aumento no número de casos. Se analisarmos só indivíduos com IMC maior que 30 Kg/m2 observamos predomínio de obesidade nas mulheres (cerca de 15%). Nos homens a porcentagem está em torno de 8%. O tratamento básico da obesidade apóia-se na modificação do comportamento alimentar e no incremento da atividade física. A alimentação diária deve variar de indivíduo para indivíduo, de acordo com seus costumes, gostos e estilo de vida. Entretanto, alguns princípios devem reger o cardápio diário: a restrição às gorduras, que não devem ultrapassar 30% do total calórico diário, a preferência por verduras, legumes, frutas e carboidratos complexos (arroz, macarrão, pão, farinha, etc.). Recomenda-se ingerir alimentos ricos em fibras como pão integral, arroz integral etc. Evidentemente que para obter uma perda de peso, deve-se ingerir menos calorias do que as calorias gastas. A prática de uma atividade física não precisa ser na academia de ginástica ou a prática de um esporte específico. Pode ser apenas uma maior atividade no dia-a-dia, como movimentar-se mais, não ficar muito tempo parado na frente da T.V. ou do computador, etc. Para que o obeso coma com mais disciplina e mantenha-se ativo fisicamente, muitas vezes, é necessário que ele se submeta a um tratamento comportamental. Como a obesidade é uma doença crônica e muitas vezes o tratamento clássico com planejamento alimentar e incentivo à atividade física não funciona, temos de administrar medicamentos que auxiliam a perda de peso e a manutenção do peso atingido. Existem vários tipos de medicamentos para o tratamento da obesidade com objetivos distintos:
diminuir a fome;
aumentar a saciedade;
aumentar a queima de calorias;
diminuir a absorção de gorduras.
A escolha de um ou de outro remédio depende de cada paciente, do seu grau de obesidade, do seu hábito alimentar, das complicações que tem etc., e deve ser feita pelo médico. Nunca se deve tomar remédio porque alguém (não médico) aconselhou e não se deve confiar em quem (médico ou não) dê fórmulas com muitos componentes ou que venda seus próprios remédios. Por vezes, nos casos muito graves de obesidade (IMC superior a 40 Kg/m2) é necessária a intervenção cirúrgica. Existem várias técnicas cirúrgicas, cada qual com um objetivo específico. A mais simples é realizada por laparoscopia (são feitos pequenos orifícios na parede abdominal por onde são introduzidas "mãos mecânicas", manipuladas pelo cirurgião) e tem por objetivo colocar uma banda em volta do estômago para controlar o diâmetro do orifício de passagem do alimento, ajustada por um dispositivo colocado embaixo da pele. Nessa técnica, a perda de peso é de 10 a 20% do peso inicial. A cirurgia maior é feita com a abertura da pele ou por laparoscopia (dependente entre outras coisas do grau de obesidade). Nessa técnica, a maior parte do estômago é cortada, deixando uma pequena parte que se une à porção do intestino delgado chamado de jejuno. O grande estômago fica fora do circuito dos alimentos e, unido ao duodeno, é ligado também ao jejuno, mais ou menos um metro abaixo da sutura do pequeno estômago que restou. Esta cirurgia, que é a mais utilizada no mundo todo, apresenta em geral excelentes resultados e, em mãos hábeis, é bastante segura. A perda de peso é de cerca de 40% do peso original e, quase sempre, o indivíduo permanece com o mesmo peso (com pequenas variações) pelo resto da vida. Mais importante que o tratamento de obesidade é a sua prevenção particularmente tentando evitar a obesidade infantil, que também vem crescendo de uma maneira epidêmica. Hábitos alimentares saudáveis e uma vida menos sedentária certamente são prioridades para fazer com que nossa população tenha menores índices de obesidade.

Fonte: Site EMEDIX – Artigos Médicos: http://www.emedix.com.br/doe/end001_1f_obesidade.php

Galera, agora vamos refletir um pouco?

O que é ser obeso pra você? Como a obesidade influencia sua vida? Como você se sente diante da obesidade? O que você sente ao ver sua imagem obesa no espelho? O que você faz para combater a obesidade? Você toma medidas enérgicas ou só fala da boca pra fora? Quantos obesos você conhece? E eles agem energicamente ou só falam da boca pra fora? O que está faltando pra você mandar a obesidade para bem longe?
É isso aí pessoal, vamos pensar... vamos refletir... vamos agir ok????

Beijos a todos!

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