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12 outubro 2008

Dietoterapia Chinesa e Obesidade

Por: Zhen Jiu

Dentro da visão da Medicina Chinesa, a obesidade é uma doença moderna, devido a “boa alimentação“, excesso de doces, excesso de gordura, falta de exercícios. A obesidade não é boa para saúde e encurta o tempo de vida. É a 2ª enfermidade do mundo e não consta nos livros antigos da China.
Uma das causas principais da obesidade ainda é a ingestão de muitas calorias. Estudos comprovam que as pessoas com excesso de peso tendem a ingerir 400/500 calorias a mais diariamente.
A obesidade é mais comum em sociedades que consomem mais gordura. Por exemplo: os americanos consomem 40% das calorias em forma de gordura, ao passo que os chineses 15%. Apesar dos chineses consumirem maior quantidade de calorias no total, (proveniente de cereais, amido, vegetais) a poucos registros de obesidade na China. Atualmente, com o fenômeno da “ocidentalização” da China, este quadro vem mudando rapidamente, e os chineses estão começando a se tornar obesos como os ocidentais.
A gordura depositada no abdome tende a ter maior atividade metabólica. As células do abdome liberam facilmente essa gordura no sangue e no fígado, aumentando o risco de doenças como, hipertensão, colesterol, câncer e distúrbios cardíacos.

Por que a gordura engorda?
Essa parece uma pergunta um tanto quanto redundante, mas na verdade a gordura está presente em quase todos os alimentos industrializados, e cumprem algumas funções bem específicas, como realçar o sabor de alguns alimentos. O problema que toda essa gordura que nós comemos sem perceber acaba ajudando também a aumentarmos de peso. A gordura ajuda a engordarmos pelos seguintes motivos:
1) Acentua o gosto dos alimentos e dessa forma, leva a comer-se mais. Ex: o grande aumento de produtos novos, ricos em energia, mas com poucos nutrientes.
2) A sensação de saciedade é mais demorada nos alimentos gordurosos do que nos alimentos ricos em fibras.
3) O excesso de gordura deposita-se facilmente, enquanto que a ingestão de cereais e fibras desprende mais energia para ser metabolizado.
4) Inatividade física. Ex: A grande e moderna tecnologia substituiu o trabalho braçal por maquinas e aparelhos que produzem o mesmo trabalho, poupando energia; a televisão e o automóvel dominaram as atividades de lazer. Enquanto as pessoas fazem menos exercícios e comem mais alimentos calóricos, a obesidade avança.

Emagrecer até que é fácil. É uma seqüência de dias de relativas restrições. Come-se de tudo, mas talvez não de forma desejada
É bom lembrar que o emagrecimento é uma fase; e a fase seguinte é a de manter o peso conquistado.
Quem é gordo carregará para sempre a sua tendência a engordar. Mesmo o magro que um dia foi gordo, quando se descuida engorda novamente. O gordo tem um número maior de células de gorduras (adipócitos) em relação a uma pessoa não gorda, e após o emagrecimento, este número quase não se modifica, continua o mesmo, ocupando contudo um volume menor.
No emagrecimento do corpo, ocorre um emagrecimento dos adipócitos e não a sua eliminação, logo o emagrecimento não significa o fim do risco de engordar novamente.
O maior desafio para a obesidade é o tratamento. Os tratamentos não alcançam o sucesso desejado. Apesar de muitos métodos produzirem os efeitos desejados, depois de 1 ano, mais da metade dos pacientes recuperam o peso.
Todo obeso normalmente já procura um tratamento com certa dose de ansiedade querendo emagrecer rápido e isto não é bom, pois quanto mais rápido a pessoa perde peso mais rápido ira recuperá-lo. Quanto mais rápido o emagrecimento, menos tempo de prepará-lo para a manutenção do peso, e assim menos chance de sucesso.
Perdas rápidas podem ser perigosas a saúde, junto com o emagrecimento a pessoa deve iniciar uma manutenção que inclua exercícios e dieta equilibrada.
O paciente deve se conscientizar que emagrecer é, antes de tudo, um processo de autoconhecimento, alta dose de amor e desejo de emagrecer e conhecimento dos fatores que envolvem a obesidade.
A Sabedoria Chinesa traz em si muitas informações importantes no que diz respeito à interação homem-natureza. Estas informações começam pelo auto-conhecimento do próprio ser internamente, de modo que o indivíduo possa carregar na memória como se ajudar por toda vida, prolongando-a ao máximo possível. Assim se entende o “TAO
A partir daí, podemos nos colocar dentro do mundo “TERRA” e interagir com ele. Há uma “troca” entre o homem e tudo o que há no mundo, em maior ou menor grau. Assim, os fatores naturais entram em contato com o corpo do animal, através, ou por intermédio das suas alterações. O calor, o frio, o vento, a umidade, a secura são fatores que contatam constantemente conosco. São elementos existentes do clima, que podem nos afetar diretamente.
Como vemos, cada elemento pode ser básico, como o calor e o frio, ou ainda composto por duas formas básicas, como o vento gerado pelo encontro dos dois anteriores. Por aí entendemos a existência e co-existência de uma dualidade, de uma polaridade, designada na Filosofia Chinesa por “YIN/YANG”, ou negativo /positivo, ou mínimo /máximo, etc.
Esta polaridade é geradora do existir. Em função dela surgem as energias, as diferentes formas, o alto e o baixo, o claro e o escuro, o frio e o quente, assim por diante. Em função dela, também, aparecem as formas intermediárias, entre cada extremo. Assim, nós também temos dentro de nós esta polaridade, pois sem ela não existiríamos, como nada existiria.
A interação pacífica “YIN/YANG” gera o equilíbrio, a uniformidade, a vida. A interação desequilibrada destes dois fatores gera a desordem, a deformidade, o caos e ausência de vida.
Ambos coexistem. Um complementa o outro. Quando um se sobressai, definha o outro. Se a sobressaliência é demasiado grande, um acaba se transformado no outro. Quer um exemplo? Imagine uma pessoa com febre, uma febre exageradamente alta. O que acontece a ela? Não começa a tremer? Mas por quê ela treme se está quente? Por que o Yang, representado pela febre, cresceu tanto que acaba por se transformar em Yin, representado pelo tremor de frio, ou calafrio.
Mas, não é só de “YIN/YANG” que vive a filosofia chinesa, esta que é a base da medicina chinesa. Os componentes da natureza, que são básicos para ela, portanto, também interagem entre si. O mais básico na, “TERRA” vem da água, que gera a vida para o vegetal = madeira, que pode dar origem ao fogo, gerando cinzas = terra, de onde se retira o metal. Desta forma, cria-se um ciclo de geração, a seguir representado:



Estes 5 “movimentos” ou elementos estão em constante interação, não só nesse ciclo “gerativo”, mas também em mais quatro outros tipos de relações, que são: qualquer um deles pode ser reprimido pelo anterior, assim como pode fazer com o posterior; este sistema se chama de inibição. Pode haver, ainda, uma hiper-estimulação nos dois sentidos, complementando os dois tipos restantes de atuação neste pequeno sistema.
Ocorre, ainda, que os cinco elementos: água, terra, madeira, metal e fogo, guardam, evidentemente alguma relação com o corpo humano, como já era de esperar. Então, cada um desses elementos, retirados da natureza, tem como representante um órgão interno no corpo humano, como mostra a relação abaixo.
madeira → fígado → raiva
fogo → coração → alegria / tristeza
terra → estômago → pensamento
metal → pulmão → preocupação
água → rim → medo
Como se pode ver, além da relação elemento/órgão, há na tabela uma terceira coluna com sentimentos também participando desta interação. Assim, você pode estar prejudicando seu fígado ao manter sentimento de raiva em relação à alguém ou à um fato. Do mesmo modo, você já ouvir falar em alguém que tenha falecido por ataque cardíaco após uma grande alegria ou tristeza.
Você já conseguiu entender que nós não vivemos isolados, que a natureza pode nos trazer benefícios, mas também prejuízos, senão estivermos preparados para enfrentar seus elementos em que nossos sentimentos podem interferir muito em nosso corpo.
Se levarmos em conta que gostamos muito de “entender” as causas dos nossos males, vamos para mais uma informação…
Nascemos com uma energia chamada vital (Qi ou Chi), que representa a energia “captada” a partir dos nossos pais, e por este motivo, chamada na Medicina Chinesa de energia ancestral. Esta energia é responsável pelo nosso crescimento e desenvolvimento desde a formação do ovo na fecundação até a nossa morte. A esta energia vão se somando as energias adquiridas pela alimentação e pela respiração, os dois, básicos para a existência devida. Desta forma, não paramos de crescer e de apresentarmos desenvolvimento neuro-psico-motor, pela renovação e manutenção de nossa energia corporal.
Com o decorrer dos anos nós vamos, progressivamente, desgastando nossa energia vital, através de erros constantes.
Erramos na alimentação, comendo mais, menos ou inadequadamente. Erramos nas atitudes físicas, desrespeitando nosso corpo, ao solicitar mais dele do que devíamos e erramos por não aprendermos a conhecer nosso próprio corpo e por não ajudar no seu “funcionamento” adequado.
Com erros sucessivos, os sintomas internos vão encontrando dificuldades para circularem suas respectivas energias e não só para manter nossas funções normais, mas também para defendermos das agressões externas, como infecções, por exemplo. A partir deste ponto, qualquer agressão que anteriormente seria debelada com a maior facilidade passa a fazer parte do nosso dia a dia, transformando nossas vidas num constante conviver com fantasmas de dores e problemas. Por isso, uma “friagem” pode nos fazer ter ou sentir dores antes não sentidas.
Não encontramos, entretanto, na Medicina Chinesa, somente informações negativas.
Podemos através dela vislumbrar uma alternativa para resolução de muitos de nossos problemas. Encontramos, nessa área uma série enorme de terapêuticas sempre naturalistas, voltadas para o seu humano que se integra com o meio na forma de auto respeito, de auto estima e de auto conhecimento. Apenas para citar alguma coisa, lembremo-nos da acupuntura, do-in, tui-ná, fitoterapia chinesa, tai-chi-chuan, etc.
Cada um deles compõe uma pequena porcentagem do que realmente é a Medicina Chinesa.
Para nós será importante conhecer um pouco mais da dietética chinesa, da alimentação seguindo os princípios básicos Yin/Yang e dos 5 elementos.
Temos que conhecer um pouco mais sobre nós mesmos, sabendo se somos Yin ou Yang. Se precisamos de mais ou menos calor em nosso corpo, e assim por diante.

Continua… aqui

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